
Entrevista com: Helder Herik
No lançamento do livro “As Plantas Crescem Latindo”, 2009 – SESC - Garanhuns
Entrevistado por minhas Excelentes alunas: Camilla Montanha e Fernanda Jófili (eu as obriguei a fazer a entrevista e elas toparam, desde que ganhassem ponto na média)
“Sou um homem do século passado.”
C.M & F.J: Como foi a experiência de escrever o livro?
Helder Herik: Esse livro foi escrito em 2002, na época que eu ainda era um jovem universitário. Eu tinha a preocupação de observar o mundo e nessa preocupação, percebi que os jovens, assim como vocês, têm uma necessidade de se expressar com poucas palavras. Isto porque o mundo é dinâmico, rápido, veloz. Então, não se tem mais aquele tempo de outrora, que era o tempo dos nossos avós. Um tempo onde se conversava mais porque parecia haver mais tempo. Logo a mensagem do livro As Plantas Crescem Latindo é dinâmica e o suporte dessa informação qual é senão o MSN e mais recentemente Twitter. Mas nessa época esses dois não estavam tão propagados no Brasil. Então na época o sucesso eram os torpedos de SMS. Eu resolvi fazer um livro com uma linguagem sintética, uma linguagem resumida, uma linguagem precisa; que nada mais é que a linguagem que o jovem utiliza hoje.
C.M & F.J: Este é o 1º livro publicado?
Helder Herik: Publicado não, mas foi o primeiro livro que escrevi, isto no ano de 2002, no mesmo ano, escrevi outro livro chamado amorte, publicado no ano passado, e agora, As Plantas Crescem Latindo, em 2009. Então estou me livrando desses 2 livros, que foram os primeiros. Tenho mais alguns livros terminados e outros por terminar. Nos próximos anos vou mostrar essas outras obras. Espero que o público seja afetivo aos que virão pela frente
C.M & F.J: Por que o nome do livro “As Plantas Crescem Latindo” ?
Helder Herik: Esse livro vem muito da concepção infantil, é um dos vários livros que escreverei sobre a minha infância, sobre o meu mundo mitológico. Além do livro ter uma linguagem curta, que faz um link com a ‘linguagem da atualidade’, ele também tem uma linguagem fácil, principalmente na última parte, que se chama “Desenterrando Sapos”. Eu quis colocar o nome de As Plantas Crescem Latindo, porque, e aí eu acho que vocês não vão acreditar, mas as plantas lá em casa latiam, juro pela minha alma que elas latiam igualzinho um cão perdigueiro. Elas latiam porque queriam deixar de ser simples mudinhas. Elas só não latiam para a minha Avó. Elas respeitavam a boa velha. Então me veio a ideia na cabeça de homenagear aquelas plantas da minha infância. Foi aí que surgiu ‘As Plantas Crescem Latindo’.
C.M & F.J: Tem alguma poesia que você mais goste ou mais se identifique?
Helder Herik: Tem sim, uma poesia chamada “Revoada”, que diz assim: “as mãos que dão tchaus, são pássaros que erguem voos”; na verdade, é um poema bem visual, se você não visualizar as palavras é bem provável que o poema não funcione. Mas se você visualizar o aceno do tchau, verá ele parece um pássaro batendo as asas. Quando o pássaro bate as asas, obviamente, ele quer ir a algum lugar; quando damos o nosso tchau, também estamos querendo ir a algum lugar. E eu tentei fazer essa analogia visual do tchau como se fosse um pássaro erguendo o voo.
C.M & F.J: Algumas poesias têm um ponto de vista ‘sublime’, como ‘Brazil’, escrito até com “z”.
Helder Herik: Essa poesia, “Brazil”, mostra a visão imperialista, a visão dominadora e dogmática dos Estados Unidos. Porque, na época que eu fiz esse livro, não era o governo Obama de agora, era o governo do George Bush. Este foi o governo mais odiado de um presidente americano em todos os tempos. Uma verdadeira catástrofe. Então resolvi colocar o desdém do americano ou dos poderes americanos com relação ao Brasil, então o Brasil é escrito com “z” para dar aquela ideia de ‘internacional’, e o poema diz “Brazil: país da América do Sul, lá se puxa pouco a descarga”. Tem uma visão de criticar os nossos políticos, que defecam demais; e as fezes rolam soltas; é uma por cima da outra, não se limpam e nem nada.
C.M & F.J: Com relação ao estilo, é Modernismo, certo?
Helder Herik: Sim, mas quando eu morrer talvez digam outra coisa. (Risos)
C.M & F.J: Mas tem algumas questões como o romantismo, como a fase de transição da infância, à adolescência até a fase adulta. Você confirma isso?
Helder Herik: Sim, interessante que você pegou algo da poesia. Esse livro mostra que o homem ficou adulto, o homem agora formou-se e exerce uma profissão. O homem agora perdeu seus cabelos e a sua inocência ficou no século passado. É uma forma de proteger-se é relembrar da infância, quando era acarinhado, debaixo das lanranjeiros e das goiabeiras.
C.M & F.J: Qual a mensagem final do livro?
Helder Herik: Com esse livro quero deixar minha marca no mundo, ficar registrado. Talvez amanhã, quando estiver mais velho eu pense diferente, mas agora eu penso desse jeito. Eu espero que os leitores gostem do livro. (Pessoas chegando para o lançamento) quantos leitores, hein? Veja só, olhe como vem. Vem logo um enxame, vem logo de tuia, porque é assim que o Brasil tem que ser, um enxame de leitores (risos). A mensagem final do livro é: a poesia ainda vale à pena. Mesmo que o pão seja caro e a liberdade pequena, como disse o Ferreira Gullar.






